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T2 na Arrentela

T2 na Arrentela

30
Jun20

Procura-se juventude partidária. Qualquer uma. Tanto faz.


Merda! Acordei com a sensação de que sou demasiado velho para aderir a uma jotinha. Juntar-me a uma juventude partidária qualquer, e só largar o partido dentro de um caixão.

Tenho 23 anos. Talvez ainda vá a tempo.
Mas qual juventude partidária? Do PS, do PSD, do CDS, do Bloco, do PCP, do Chega?

Do Chega não. Lá só entra quem já nasça grisalho e numa campa de Santa Comba Dão.

Do CDS? Também não. São cada vez mais amigos do Chega.

Do Bloco ou do PCP? Também não. O Bloco pensa muito em palavras e o PCP no Avante, mesmo em tempos de Pandemia.

Do PS ou do PSD? Também não. O PS e o PSD são aquelesiaqueles separados à nascença que se encontram anos mais tarde e acabam a mamar-se na boca num Ramalhete qualquer.

Portanto que venha o Diabo e escolha ou faça um, dó, li, tá; ou que meta o tridente no cu de um pombo. Algum comentador televisivo analisará o sangue do bicho e tirará as ilações necessárias para me apontar um caminho.

Já tive o formulário de inscrição da Juventude Socialista na mão.
Desempenhou bem o papel de bola de basket para encestar no caixote do lixo. Que desperdício de papel.
Felizmente é reciclável. Desde que eu o tenha reciclado, claro.
Mas se são todos uma merda, com alguns a roçar a diarreia, qual é a vantagem de estar numa jotinha?

As jotinhas são McDonald's ideológicos. Entramos numa e dão-nos rapidamente a papinha toda.

"Bem-vindo. A partir de hoje vais acreditar nisto e naquilo. Vais defender o partido, sem questionar nada. Vais votar segundo o que vem de cima. Se já estiveres em cima, voltarás de acordo com o nosso passado e a nossa tradição".

E há quem faça disto uma carreira!
Entra numa jotinha, perde a virgindade no Parlamento e dá a última queca a olhar para a bandeira do partido.
A esta gente chamamos políticos.


Os políticos dividem-se e dividem-nos em canhotos e destros.

A esquerda ofende-se com quem ouse dizer paneleiro, fufa, preto ou Lelo, enquanto tenta sob a capa da igualdade enfiar gays, lésbicas, negros e ciganos em sacos avulsos de identidade.
Logo, somos mais iguais quanto mais divididos estamos.

A direita ofende-se com quem sugere que o aborto e a eutanásia não são crime ou um atentado aos bons costumes. Ofende-se também com palavrões porque atentam contra o decoro exigido à vida social. Palavrões como cona, caralho, picha gorda, colhões à Gomes de Sá.

E não saímos disto. Discutimos palavras enquanto eles escolhem a posição do Kama Sutra em que nos vão pinar.
À esquerda sugere-se um 69 em que todos se satisfazem oralmente ao mesmo tempo. Igualdade.
À direita sugere-se o tradicional missionário em que o homem cristão subjuga o lado selvagem de todas as Evas que lhe apareçam por baixo.

Pensei numas frases ofensivas:

No outro dia estava na Igreja a ler a Bíblia, quando um preto paneleiro me apareceu à frente com um caralho descomunal. Quase quis ter uma cona. Meu deus.

29
Jun20

Como ofender a extrema-esquerda e a extrema-direita em 5 palavras.


Quase quis ter uma cona.

Em 5 palavras ofendemos a extrema-esquerda e a extrema-direita. Comecemos pela extrema-esquerda.

Para a extrema-esquerda, afirmar que quase se quis ter uma cona implica que se pensou no assunto, mas que se recusou a ideia.

                “QUAL É O MAL EM QUERER TER UMA CONA? Quase quiseste? Queres ou não queres? Voltaste atrás porquê?  Estás a dizer que querer ter uma cona é mau? Fascista. O género é uma construção social que se desconstrói no Twitter e no bloco operatório.”

                “Não. Estou só a dizer que me passou a ideia pela cabeça, mas ao fim de alguns minutos ganhei um novo apreço pelo meu pénis. E não é isso que é suposto? Sentirmo-nos bem na nossa pele? Quando disse “quase quis ter uma cona” significa que considerei ir à faca, mas por motivos que só a mim me dizem respeito acabei por me manter intocado. Não há mal nenhum em ter ou querer uma cona, mas também mal nenhum em ter ou querer um caralho. Os judeus estão ali a meio caminho porque só cortam meia pila, mas isso é lá com eles.”

                “CLARO! Claro que o facho que não quer cona também é antissemita.”

                “NÃO! Era só humor de observação à distância, porque nunca vi um pénis judaico de perto; os outros vejo a toda a hora”

Para a extrema-direita, afirmar que quase se quis ter uma cona implica que se pensou no assunto.

                “MAIS UM PANELEIROTE! Mais um paneleiro que não tem respeito nenhum pela religião, moral ou costumes. Se fosses antes à tourada aprendias a ser um homem com h grande, de heterossexual. Vestias um barrete verde, uns collants, um colete cheio de brilhantes, e depois punhas-te numa fila indiana com outros homens vestidos da mesma forma para agarrar nos cornos e no cu de um touro.

És homem e queres ter uma vagina? Se eu não fosse contra o aborto e contra a eutanásia, gostava que a tua mãe te tivesse cuspido, ou que te injectassem cianeto no olho. Portanto, mata-te como um macho. Mete uma cruz ao pescoço, tira-a e depois corta-o.”

                “Eu só quase quis ter uma cona. Qual é o mal?”

                “Não digas palavrões à minha frente. Deus está a ouvir.”

                “Deus? Estás aí? Se estiveres, vais-me dizer que nunca te sentiste tentado a ter uma cona? Ámen.”

                Tanta discussão. Tanta luta. E eu sou apenas um gajo que um dia quase quis ter uma cona.

27
Jun20

RIP Cleveland Brown


cleveland2.jpg

Mike Henry, o actor branco que dava voz a Cleveland Brown na série Family Guy, decidiu cancelar-se a si mesmo. Parabéns, Mike. Junta-te ao lado certo da vedação. O Mike escreveu no Twitter:

“Foi uma honra fazer de Cleveland durante 20 anos. Amo esta personagem, mas as pessoas de cor devem interpretar personagens de cor. Portanto, vou abandonar o cargo.”

           

            De repente o Mikezinho ganhou consciência de que o seu trabalho era insensível para com as “pessoas de cor”.  O Mike é tão bom senhor. Mal se apercebeu que emprestar a voz a uma personagem negra era black face vocal, disse “na, na, na, tou fora.”, com a sua pura e límpida voz branca, claro.  

            Nos últimos tempos muitas celebridades brancas têm-se demitido dos seus papéis em séries de animação porque as personagens que representavam eram “pessoas de cor”. Sim: pessoas de cor. Vocês sabem… “pessoas de cor”, um daqueles eufemismos que entram no léxico e acabam com o racismo.

            Jenny Slate abandou Big Mouth, Kristen Bell o Central Park e Allison Brie veio pedir desculpa por ter interpretado Diane Nguyen em Bojack Horseman.

            A questão que se impõe é:

- Ei, pessoas de cor (todas), qual é a diarreia que têm andado a comer para eu nunca lhe tocar?”

            Não gosto de apostas porque perco quase sempre, mas aposto que estes actores e actrizes  não se demitiram por terem chegado à conclusão de que estavam a retirar oportunidades a “pessoas de cor”; demitiram-se porque existe aí uma cena chamada Twitter, onde as pessoas que não têm de lutar para comer se juntam e falam mal umas das outras. Provavelmente o que aconteceu foi que alguém com 3 neurónios por 100 metros quadrados pensou e escreveu no Twitter:

            - Olhem lá, não é um gajo branco a fazer de negro no Family Guy? #cancelMikeHenry.” – Ao que os outros seres pensantes responderam:

-   Ya, mano, táx bué experto.

O Mike como também é esperto foi na cantiga e “concluiu” que se tinha de demitir. Mike, tu estavas a dar a voz a um ser que NÃO EXISTE.

Daqui para a frente o que é que acontecerá? Os produtores de Family Guy contratarão um actor negro para imitar a voz de um branco que estava a fazer de negro. De seguida, o Twitter insurgir-se-á contra o facto de um negro estar a imitar a voz de um branco que fazia de negro, e o negro contratado demitir-se-á para dar lugar a um branco que imitará a voz de um negro que, por sua vez, imitou um branco a fazer de negro. E assim sucessivamente. Tipo bola de neve.

O que é que isto significa para o futuro das séries de animação?

Para o próprio Family Guy, a actriz Alex Borstein deverá demitir-se do papel de Tricia Takanawa porque não é asiática, e deverá demitir-se do papel de Lois Griffin porque apesar de ser branca não é ruiva.

            A série Bojack Horseman escapa porque já acabou, mas acho que devíamos penalizar de algum modo o actor que interpretava Bojack porque não era um cavalo.

            Além disso, creio que todos os filmes e séries das Tartarugas Ninja deviam ser queimados porque as tartarugas apropriaram a cultura japonesa e porque nenhum ser humano é uma tartaruga.

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