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T2 na Arrentela

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11
Jan20

Capítulo 7 - Macaquinho do chinês. Cavalos à chuva. Não é preciso chover no molhado. Lágrimas de crocodilo.


                Não é sempre uma desilusão jogar ao macaquinho do chinês? Há uma pessoa, de costas, que conta até três, criando a expectativa de que algo espectacular vai acontecer. De seguida diz “macaquinho do chinês”, o que me deixa entusiasmado; eu começo logo a correr porque quero ver o macaquinho, mas a pessoa vira-se para mim, aponta na minha direcção e ordena:

                – Volta pra trás! – E eu:

                – Mas porquê? Não há nada que eu deseje tanto como ver o macaco de um chinês.

                Dado que o meu adversário nunca me permite alcançá-lo para conhecer o macaquinho, eu fico sempre desconfiado…. Será que o macaquinho existe mesmo, ou será que não é suposto que eu veja? Ou a questão nem é o macaquinho mas sim o chinês? Será que o chinês não é um cabrão que traz um macaquinho pela trela? E o meu adversário, que está a contar, não me está a impedir de proteger um macaquinho indefeso? Quem me conhece sabe que sou especialista em protecção de macacos. Aliás, sou cinturão negro em protecção de macacos. Ainda há duas semanas tive um combate de protecção de macacos e fui o vencedor, só para saberem com quem estão a lidar!

                Eu estou ali a ficar nervoso, e o meu inimigo tem a lata de me dizer:

                – Tens de soltar a franga. – E eu perdi a cabeça.

                – Que franga, caralho? Diz-me lá que franga é que eu tenho de soltar, caralho! Tu nem me deixas ver se o macaco está bem de saúde e ainda me mandas soltar frangas? Porquê? Porque foste tu que as prendeste? – Comecei a aproximar-me para lhe bater, e ele diz-me:

                 – Ei, ei, ei, tira o cavalinho da chuva! – E eu cada vez mais enraivecido:

                 – Ah, então agora já só se tiram os cavalinhos da chuva? Então se for um cavalo não se faz nada, é? E o macaquinho e a franga? – O meu arqui-inimigo riposta:

                 – Epá, tem calma, é só uma forma de falar. Claro que temos de trazer toda a gente para dentro, afinal quem anda à chuva molha-se.

                – Claro que se molha, é água! Porra!

                – Também não é preciso chover no molhado.

                – Ó imbecil, molhado com molhado é molhado ao quadrado. Qual é o problema de chover numa coisa que já está molhada? – O maior empecilho da minha vida começou a chorar e, cheio de medo, disse-me que estava literalmente a engolir sapos. E eu perguntei-lhe: – Literalmente? Estás a engolir sapos neste momento? – Entre lágrimas, ele suplicou:

                – Pára com isso. Deixa-me em paz! – Mas eu não estava para brincadeiras, desta vez a vitória seria minha. Dei-lhe um soco bem no centro do âmago e disse-lhe as onze mais bonitas palavras da língua portuguesa:

 – Pára com as lágrimas de crocodilo, ó meu filho da puta!

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