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T2 na Arrentela

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25
Dez19

Capítulo 3 - Conversa de amigos nº 1: questões sobre o livro; Vagina; Durkheim e Max Weber


Conversa de amigos nº 1

 

Francisco: Tens a certeza que é assim que queres começar o teu livro? Ó Pedro, este gajo não só está a escrever um livro como também o começou por citar um gajo qualquer chamado Jorge de Sena! ‘Tás mesmo a querer parecer intelectual, não é? E depois disso falas de bombas dentro de fornos, de uma aula de matemática qualquer em que choraste, e da tua ex logo no segundo capítulo? ‘Tás mal! Sabes do que é que precisas?

Eu: Não é preciso dizeres, eu já sei.

Pedro: VAGINA!

Francisco: Vagina não, CONA!

Eu: Ou então, se calhar, eu só quero escrever porque gosto de escrever.

Francisco: Não, não. O que tu precisas é de uma vagina na boca. Vais-nos dizer que não tens saudades de uma vagina na boca?

Eu: Epá sim, mas acho que escrever e ter vaginas na boca não são coisas mutuamente exclusivas.

Pedro: Então não são? Tu consegues ter uma vagina na boca e escrever ao mesmo tempo?

Francisco: Ele deve ‘tar a dizer que escreve com a língua. Mania de artista, é o que é.

Eu: Não, suas estúpidas. Se tenho uma vagina na boca as minhas mãos continuam livres para escrever, ou fazer ovos mexidos se me apetecer.

Francisco: Eu já fiz isso uma vez…

Pedro: O quê? ´Tás a gozar? Tiveste uma vagina boca enquanto fazias ovos mexidos?

Francisco: Man, foi um dia em que eu e a Carla estávamos atrasados para o trabalho e, como não gostamos de gastar o subsídio de alimentação à balda, o pequeno almoço é em casa. Ela queria ovos e eu precisava de outro tipo de proteína, se é que me entendes. GAINS, GAINS! NO PAIN, NO GAIN!

Eu: Às vezes pergunto-me porque é que me dou com vocês…

Pedro: Porque tu és aquele que quer ser comediante, mas também és super aborrecido. Precisas de nós. Vamos recapitular. Tu tens vinte e dois anos e estás a escrever um livro. Há coisa mais à cromo do que escrever?

Eu: Há: comer a tua mãe de quatro enquanto se lê A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo do Max Weber! Ui, toma que já ardeste como o pinhal de Leiria. Não é, Chico?

Francisco: Meu, mata-te.

Eu: Por acaso o Durkheim escreveu uma obra interessantíssima sobre o suicídio, que se intitula assim mesmo: O Suicídio. Tenho de ver se a requisito na biblioteca. Ouvi dizer que ele apurou o facto de os habitantes das grandes cidades serem estatisticamente mais propensos ao suicídio. Tenho isso a meu favor. O pessoal do campo está tão agarrado às tetas das vacas que nem se lembra de se matar. Que falhados.

Pedro: A minha avó era uma vaca. Fala com respeito, se faz favor. Agora quem não percebe por que motivo nos damos uns com os outros sou eu.

Francisco: Nem eu… Mas vá, senhor escritor, conte lá então como acaba a sua história.

Eu: Estou a pensar em dar-lhe um final digno, algo como o que vos contei há pouco: Eu a comer a mãe do Pedro de quatro enquanto leio Max Weber. Que tal?

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