Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

T2 na Arrentela

T2 na Arrentela

08
Jan20

Capítulo 6 - Cidra, Cidra, Cidra, Sida. Ser ou não ser presidente? Velhas e chouriços. Canibalismo. P.S: falhas narrativas


Cidra, cidra, cidra, sida. Beber sem moderação e sexo sem protecção, eis o meu slogan para as presidenciais. Será esta a plataforma ideal para quem deseja parecer presidencial? Não sei, mas os trumps e os bolsonaros desta vida parecem conseguir manter-se no poder sem muito mais a oferecer. Um confronta jornalistas dizendo-lhes que têm “cara de homossexual”; o outro bombardeia o herói nacional do Irão sem saber bem porquê. Se é este o grau de exigência também posso ser presidente.

Eu nem quero ser presidente. O cargo parece muito aborrecido e tem de se ter em conta que uma das tarefas inerentes é beijar velhas na rua. Beijar velhas desconhecidas na rua só é aceitável quando se é presidente; quando se é um cidadão comum nem as velhas aceitam ser beijadas. Acreditem, eu tentei. O mais estranho de se ser rejeitado por uma velha é o facto de se ser rejeitado por uma velha. Por mais horrível que seja um jovem parece-me inegável que ele possui qualidades suficientes para estimular uma velha, de vários modos: intelectualmente, sexualmente, etc.

Mas a presidência possui uma vantagem inegável: comer à pala em tudo o que é feira. É debicar no chouriço, no presunto, nas azeitonas e nos tremoços, beber da bela vinhaça e do melhor bagaço, ingerir a melhor bifana e a mais gorda das sardinhas.

Portanto tenho habitado numa espécie de limbo. Não quero ser presidente, mas quero comer à borla. Só que para comer à borla os enchidos e os melhores acepipes também tenho de comer velhas, e eu nunca me dei a conhecer ou me conheço como canibal. Alguém tem linha directa para o Marcelo? E para o Cavaco?

 

 

P.S (Post Scriptum, não Partido Socialista): Poderá o leitor perguntar o que tem este capítulo que ver com os anteriores? Deste lado, respondemos: nada. Estávamos sem ideias de como se compõe uma narrativa contínua, mas assumimos um compromisso com o leitor e connosco. Enquanto não falecermos, sairá um capítulo todas as quartas-feiras e sábado. Hoje é quarta-feira, caso não soubesse. Abraço e beijo.

18
Dez19

Capítulo 1. Frangos, bombas, lápis e saias


Queridos bloggers, 

Apresentamos agora o primeiro capítulo de uma história que não sabemos no que consiste nem para o que vai. O único detalhe que podemos avançar é o carácter autobiográfico da narrativa, com os necessários toques de magia que tiram o aborrecimento de uma vida plenamente rotineira e sem piada. A história também deverá ser  humorística se o leitor lhe achar piada, caso contrário nós andamos muito iludidos deste lado. 
Assumimos o compromisso de publicar um pequeno capítulo todas as quartas e sábados durante aproximadamente 457 semanas. 
Obrigado pela atenção. 

Cá vai:

 

1.

 

A vida é volátil e absurda. Dizia Jorge de Sena que um frango ao cair de um avião pode parecer uma bomba, mas – penso eu – uma bomba num forno também pode parecer um frango.

Não há motivo geral ou particular para se colocar uma bomba no forno, e qualquer pessoa dispõe das faculdades necessárias para evitar um lapso tão bacoco. Quem coloca um frango no forno em princípio tê-lo-á temperado; quanto às bombas, o tempero vem no seu interior: é como o peru do Dia de Acção de Graças dos americanos.

            Admito: eu não sou conhecido por dar graças às Graças.  O ano tem trezentos e sessenta e cinco dias; as Graças designaram, por si e para si, um dia específico para agir. Eu ajo todos os dias; não o digo para me pavonear ou entrar numa disputa de contagem de galardões de mérito militar. Não sou bom de pistolas, e também sou mau noutras coisas como a matemática.

            A matemática provoca-me frieiras nas mãos.  Certo dia, não removi as luvas ao entrar na sala de aula. A professora Otília, de olhos inquisitivos, plenamente iracunda e pronta a esganar aquele jovem – que na altura era eu – que a havia afrontado ao não lhe mostrar as mãos enquanto fazia equações.

– Ó jovem – ela chamou-me jovem porque naquele dia eu era mais jovem do que sou neste momento, e menos jovem serei no fim desta frase – porque é que está de luvas na minha sala de aula?

 – Tenho frieiras, senhora professora.

 – Ora, pois bem, eu tenho um gato. Saia da minha sala de aula! Rua!

Eu mantive-me prostrado no meu assento. O pânico suscitado por aquela interacção quebrou as correntes metálicas da polia que é o meu cérebro. Continuei sentado, e comecei a olhar em volta procurando a saia.

“Qual será o tipo de saia que mais se adequa à sobriedade de uma sala de matemática?” – pensei eu. – “Plissada? Rodada? Saia em A? Não, essa certamente ficará melhor na sala de língua portuguesa. Saia lápis? É possível… Mas que lápis? B ou HB? F ou H? oh não! Voltei à língua portuguesa. Que disparate.”

Enquanto eu pensava a professora abriu a porta, aproximou-se e arrastou-me até à saída. Nos estreitos segundos que a porta demorou a fechar-se tentei passar os olhos por todos os cantos da sala, tentando encontrar a saia da minha salvação. Sem sucesso. Estava sozinho e entregue às veredas frias do recinto escolar até ao próximo toque.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Links

BIFANA

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D