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T2 na Arrentela

T2 na Arrentela

09
Dez19

Criança nasce com cauda na Colômbia



Parece que na Colômbia nasceu um bebé com cauda. Segundo a imprensa, as
fotografias tornaram-se virais. Fiquei com pena daquela criança, não por ter
cauda mas por as fotos se terem tornado virais.
No mundo de hoje as pessoas têm cada vez menos empatia, e isso talvez advenha
do  tempo excessivo que passamos nos nossos telemóveis.
Aquela criança nasceu com cauda, até aqui tudo bem; o que está mal é terem-se
tirado e divulgado aquelas fotografias. Acabado de nascer, talvez ainda com dificuldades
respiratórias, o bebé foi posto de costas e tiraram-lhe várias fotos ao rabo, para as 
colocarem na internet. Será que ninguém se lembrou de lhe tirar uma foto à cara
primeiro? Será que os pais aceitaram de bom grado que o rabo do seu filho se tornasse
viral?
Imaginemos que o pobre rapazito, já crescido, decide um dia levar a sua primeira
namorada à casa dos pais; imaginemos que os pais fazem a típica brincadeira de mostrar
à namorada as fotos do namorado em criança… será um dia muito constrangedor para
o “nosso” menino viral.

«Hola, Tata. Sou uma imigrante portuguesa, por isso o meu  espanhol acabou no hola. Anda cá que eu e o Aureliano queremos mostrar-te o álbum das primeiras fotografias do nosso Pablito E. Buendía. Chega-te aqui, querida. Esta é a primeira foto do Pablo.»


A Tata olhará para a fotografia e verá um rabo engelhado e uma cauda prensada entre o polegar e o indicador de algum enfermeiro. Ora o Pablo não é uma repugnante ratazana. O Pablo tem cauda mas é humano! Quer dizer… o Pablo tinha cauda! Foi mutilado, mal abertas estavam as suas goelas e  os seus órgãos online
A quem pertence o poder de decisão num caso destes? O que é que se passou?
Será que a mãe ao olhar pela primeira vez o seu filho, afirmou:

«Tem cauda? Assim já não o quero. Aureliano tira umas fotos ao rabo do miúdo para ser viral, e pega
aquela tesoura.»

Foi isto que se passou? Ou, por outro lado, os pais estavam de bem
com a situação e os médicos obrigaram-nos a cortar a cauda do Pablo?

«Desculpe lá, senhora Pilar, mas esta cauda é para cortar.»
«Não o faça, senhor doutor, rogo-lhe que deixe o meu filho como Deus o fez!»
«Quem o fez foi a senhora e o seu marido, não chame o Senhor para onde ele não é chamado!»
«Por favor, não mutile o meu menino; talvez mais tarde se venha a sentir complexado e tente compensar a ausência da cauda com a venda de cocaína.»
«Tem de ser.»
«Porquê?»
«Porque não há calças para quem tem cauda, minha senhora…»
«Então, ele há-de vestir saias.»


Chop chop, zás trás pás, catrapumba, xiribitátá urra, urra pontapé na cauda,
preconceitos de gente graúda. Lá se foi a cauda.
Cortar a cauda a um recém-nascido é como baptizá-lo uma semana após o seu
nascimento; ambos são compromissos a longo prazo, ambos irrevogáveis.

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