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T2 na Arrentela

T2 na Arrentela

04
Jan20

Capítulo 5 - A mente e a memória. Narguilé, Mcdonald's e Deus.


A mente e a memória são traiçoeiras. Elas têm a mania de reconstruir certos episódios do passado de modo a fazer-nos a personagem principal ou o herói das nossas vidas. O melhor modo de não sermos enganados é manter um diário por perto, onde anotamos todas as aventuras e desventuras da nossa existência. Ainda assim é muito provável que sejamos enganados. 

Ontem à noite sai com uns amigos. Fomos beber uns copos, fumar um narguilé e, para variar, a noite acabou no McDonald’s. Durante toda a noite senti-me particularmente engraçado, como se alguém tivesse decidido que eu iria fazer toda a gente rir-se. Mas quem detém o poder para tomar uma decisão dessas? Fui tocado pela sábia mão de Nosso Senhor? Não acredito. Obrigado, Memória, por me relembrares o meu ateísmo. Neste tipo de situação é sempre bom ser ateu porque quando achamos que estamos sozinhos, sem nenhuma força motriz a nortear a nossa vida, e as coisas nos correm bem, só temos de agradecer a nós mesmos. O problema é quando as coisas não nos correm de feição; aí a culpa também é nossa.

Deus costuma ser o maior bode expiatório de qualquer civilização. Quantos assassinos ou terroristas não se defendem dizendo que Deus lhes suscitou os ímpetos criminais? Quantas pessoas não pedem auxílio a Deus num momento delicado da sua vida, ou de um familiar? Quanta gente não encontra em Deus um catalisador de bondade? Deus pode ser instrumentalizado para o bem e para o mal. Deus, com todos os seus defeitos, cria a mais importante das coisas: o sentimento de pertença. Em torno de Deus existe uma comunidade, e quando falo em Deus não penso apenas naquela imagem do velho barbudo sentado numa nuvem. Deus pode ser Deus, mas também pode ser o Benfica, o Sporting, o Ginásio, o Yoga, a Natação, o Jiu Jitsu, o Marketing Digital, Comer Gajas, etc.

Pouco acredito em mim e menos acredito em deuses. Sinto-me regularmente tentado a acreditar numa deusa chamada Comédia, mas só serei um crente quando ela acreditar em mim também.

Ontem quase acreditei na Comédia. Afinal, eu estava a propagar o sacramento daquela deusa: o riso. Ao sairmos do Mcdonald’s os meus amigos pediram-me para levar o carro até ao Alto de Santa Catarina; queriam comer a olhar para o rio Tejo. Eles prometeram-me que ali havia bancos públicos para nos sentarmos fora do carro. Quando lá chegámos não existia um único banco. Nem um! Perdi a cabeça. Estive o resto do tempo a falar por cima de toda a gente e a criticar a escolha do local de comezaina. Gritar possui um efeito cómico óbvio: cria uma hostilidade desproporcionada a uma ocasião corriqueira como comer a olhar para um rio, provocando o riso como reacção. O problema é que há vários tipos de riso; um deles é o nervoso. Sem me aperceber, foi esse o riso que provoquei toda a noite.  

Depois de acabado o banquete e de ter dado boleia a vários amigos só me restava deixar em casa o meu compincha João. Chegando à sua casa, ele disse:

- Epá, hoje estiveste muito agressivo. O que é que se passou? – E eu disse:

- Vai para o caralho!

Lá está: a mente e a memória são traiçoeiras. Eu não enviei ninguém para o caralho ontem à noite. Se bem me lembro, o que eu disse ao João foi:

- Eia, a sério? Não queria de todo passar essa ideia. Estava a tentar ser engraçado, e vocês até se riram… - O João olhou para mim com os seus olhos de avozinha doce como se me fosse fazer uma festinha na cara, dar uma tacinha de pudim flan ou um conselho para a vida, e disse enquanto saía do carro:

- Vai para o caralho!

 

01
Jan20

Capítulo 4 - Parte 2 - As palavras do amigo filósofo. Falhas de memória. Bro. Bolos.


            “Amigo, tu sabes como isto tem sido difícil para mim. Toda a gente se queixa de algum tipo de discriminação, mas não sei se haverá um ser vivo mais vilmente e injustamente ridicularizado do que o careca.  O careca tem de dar constantes respostas a um conjunto de preconceitos particularmente maldosos.

Enquanto deambulo na rua sei que as pessoas pensam uma de três coisas:

  • Pensam que tenho cancro, resultando a minha careca da quimioterapia;
  • Pensam que sou skinhead, de vertente neonazi;
  • Pensam que tenho sucesso com as mulheres porque «é dos carecas que elas gostam mais.»

            Digo-te já: nada disso é verdade. Com cabelo tinha namorada, sem cabelo estou solteiro. Desde que estou careca, sempre que apanho um táxi, perguntam-me se vou para o I.P.O e lá tenho de dizer que não, que nunca estive no I.P.O. Os taxistas ao perceberem que nunca estive no I.P.O assumem que sou neonazi e que a minha ausência se prende com a existência de crianças judias naquele edifício hospitalar. Tudo isto é triste, tudo isto é calvo.”

            Pelo menos é desta forma que recordo as palavras do meu amigo João. Calculo que em vez de amigo ter-me-á chamado pelo meu nome uma vez ou outra; talvez até me tenha chamado bro. O João é poliglota e moderno. «Eu é mais bolos.»

28
Dez19

Capítulo 4 - Parte 1 - A gata. O doloroso acto de pensar e o doloroso acto de tomar banho. Ainda por cima o Hitler? Ficar careca.


            Saio da cozinha em direcção à casa de banho. A minha gata segue a minha passada. Apesar de eu lhe fechar a porta na cara todos os dias, a felina insiste em raspar a tinta branca da madeira para entrar. Mia, mia e mia até lhe permitir a entrada.

Dispo-me para tomar banho e a gata pensa: “Epá, este gajo é mesmo branco.” E eu penso: “Esta gata é mesmo preta.” Somos mutuamente racistas, por isso não há problema. É como na matemática: menos com menos dá mais; racismo com racismo dá antirracismo (acho eu).

Chego à conclusão de que esta gata já me viu mais vezes nu do que qualquer pessoa, e tendo em conta que ela mia, raspa e patinha para entrar na casa de banho… só pode significar uma coisa: ela gosta do que vê. Para mim sobra o desejo de que os seres humanos do sexo feminino também venham a desenvolver esse tipo de ansiedade em ver o meu corpo. Não aconteceu até ao dia de hoje.

            Tomar banho é um ritual doloroso para mim; não porque abomine o acto em si, mas sim porque é o único momento do dia em que não posso estar ao telemóvel, evitando os cantos escuros da minha mente. Portanto estou debaixo da cabeça do chuveiro e imagino o que seria voltar atrás no tempo. Voltaria ao passado para matar o Hitler ou para salvar a minha relação anterior? Quão atrás necessitaria de ir para resolver qualquer uma dessas situações? Não seria melhor ficar no presente e ansiar por um futuro melhor? E se nunca matei alguém no presente, seria capaz de fazê-lo no passado? Ainda por cima o Hitler? Talvez fosse melhor educá-lo com amor e carinho e ver no que dava. Seria incrível poder gabar-me de ter evitado a II Guerra Mundial através do poder do amor; e dotado de tanta capacidade para o amor, certamente teria as faculdades para reconquistá-la (Ela) no presente. Saio do banho. Problema resolvido. Hoje não há em que mais pensar.

            Pego no secador húmido e utilizo-o para desembaciar o espelho. De seguida agarro a escova e é um puxa para aqui empurra para ali até o cabelo estar formatado, segundo as normas de uma sociedade plural e democrática. No meio do processo questiono-me se algum dia ficarei careca e pior que ficar careca só mesmo não ter parado de pensar.

            Há quem pense em coisas nobres como a existência humana, a natureza, a política e a arte. Há também quem pense em ficar careca. A calvície pertence ao domínio da existência humana, mas não é o tema central das dissertações de muito filósofos. Esse problema é para os carecas, e maior parte dos filósofos possuíram cabelo. É quase  condição sine qua non. Se és careca não podes filosofar. O meu amigo João está a remar contra essa maré. Não me lembro bem das suas palavras, mas parafraseando:

           

18
Dez19

Capítulo 1. Frangos, bombas, lápis e saias


Queridos bloggers, 

Apresentamos agora o primeiro capítulo de uma história que não sabemos no que consiste nem para o que vai. O único detalhe que podemos avançar é o carácter autobiográfico da narrativa, com os necessários toques de magia que tiram o aborrecimento de uma vida plenamente rotineira e sem piada. A história também deverá ser  humorística se o leitor lhe achar piada, caso contrário nós andamos muito iludidos deste lado. 
Assumimos o compromisso de publicar um pequeno capítulo todas as quartas e sábados durante aproximadamente 457 semanas. 
Obrigado pela atenção. 

Cá vai:

 

1.

 

A vida é volátil e absurda. Dizia Jorge de Sena que um frango ao cair de um avião pode parecer uma bomba, mas – penso eu – uma bomba num forno também pode parecer um frango.

Não há motivo geral ou particular para se colocar uma bomba no forno, e qualquer pessoa dispõe das faculdades necessárias para evitar um lapso tão bacoco. Quem coloca um frango no forno em princípio tê-lo-á temperado; quanto às bombas, o tempero vem no seu interior: é como o peru do Dia de Acção de Graças dos americanos.

            Admito: eu não sou conhecido por dar graças às Graças.  O ano tem trezentos e sessenta e cinco dias; as Graças designaram, por si e para si, um dia específico para agir. Eu ajo todos os dias; não o digo para me pavonear ou entrar numa disputa de contagem de galardões de mérito militar. Não sou bom de pistolas, e também sou mau noutras coisas como a matemática.

            A matemática provoca-me frieiras nas mãos.  Certo dia, não removi as luvas ao entrar na sala de aula. A professora Otília, de olhos inquisitivos, plenamente iracunda e pronta a esganar aquele jovem – que na altura era eu – que a havia afrontado ao não lhe mostrar as mãos enquanto fazia equações.

– Ó jovem – ela chamou-me jovem porque naquele dia eu era mais jovem do que sou neste momento, e menos jovem serei no fim desta frase – porque é que está de luvas na minha sala de aula?

 – Tenho frieiras, senhora professora.

 – Ora, pois bem, eu tenho um gato. Saia da minha sala de aula! Rua!

Eu mantive-me prostrado no meu assento. O pânico suscitado por aquela interacção quebrou as correntes metálicas da polia que é o meu cérebro. Continuei sentado, e comecei a olhar em volta procurando a saia.

“Qual será o tipo de saia que mais se adequa à sobriedade de uma sala de matemática?” – pensei eu. – “Plissada? Rodada? Saia em A? Não, essa certamente ficará melhor na sala de língua portuguesa. Saia lápis? É possível… Mas que lápis? B ou HB? F ou H? oh não! Voltei à língua portuguesa. Que disparate.”

Enquanto eu pensava a professora abriu a porta, aproximou-se e arrastou-me até à saída. Nos estreitos segundos que a porta demorou a fechar-se tentei passar os olhos por todos os cantos da sala, tentando encontrar a saia da minha salvação. Sem sucesso. Estava sozinho e entregue às veredas frias do recinto escolar até ao próximo toque.

11
Dez19

Como seria a Segunda Guerra Mundial no século XXI


Se decorresse no século XXI a Segunda Guerra Mundial duraria minutos. Com
tantas redes sociais e com tanta autopromoção, parece-me lógico que Adolf Hitler,
Mussolini, Estaline, Churchill e Roosevelt seriam grandes instagrammers e membros
activos no Facebook, Twitter e Twitch.


Mal estalasse o conflito, Hitler faria uma live stream no Twitch e escreveria no
Twitter: «sinto-me abençoado, acabámos de invadir a Polónia com sucesso!»; colocaria
uma fotografia no Instagram, sentado nas escadas do Reichstag, afagando o pêlo do seu
pastor alemão. Na descrição, escreveria: «sinto-me abençoado, acabámos de invadir a
Polónia com sucesso!» Pouco inspirado, fracas ideias: o habitual. Abaixo seguir-se-ia
uma enxurrada de hastags, tais como: #abençoado, #chegueievenci, #adoroomeucão,
#odeiojudeus. Mas tudo isto em alemão, aquele idioma cheio de consoantes que por si
só justifica o nazismo.


Talvez Churchill seguisse o mesmo caminho. O Facebook perguntar-lhe-ia: «Em
que estás a pensar?», e ele, com tanta coisa por dizer, não se ficaria. Já idoso,
provavelmente responderia como se o Facebook fosse uma pessoa. «Ilustre Facebook,
obrigado pela tua questão. Vai uma charutada? Vá, não faças cerimónias! São cubanos,
sem embargo. Honestamente, tenho andando a pensar naquele parvalhão do Hitler e
no papa-crianças do Estaline. Quem me dera queimar-lhes os olhos com os cubanos, só
se estragavam mesmo os charutos. Isso, sim, seria o verdadeiro crime contra a
Humanidade!
Sempre teu, Winston Churchill.»


Benito Mussolini recorreria às stories do Instagram. Ali colocaria pequenos
vídeos em tronco nu, incitando os seus queridos camisas negras a bater em comunistas.


Estaline utilizaria o Twitter para esgrimir argumentos com Hitler. «@AdolfHitlerFührer, podes ter invadido a Polónia, mas a Ucrânia já cá canta há uns tempos. #LenhaparaGulag.»


Roosevelt demoraria a reagir porque estava a terminar a segunda temporada de
Dark, no Netflix. Quando saísse do seu transe, pensaria: «estes alemães até fazem um
bom trabalho!» De seguida abriria as redes sociais e ficaria horrorizado. Escreveria no
Twitter: «@KingGeorgeVI, peço-lhe perdão. Estava no Netflix and chill. Vou já mandar a
força aérea para aí.»


No meio de tudo isto, os líderes esquecer-se-iam de desligar a informação de
localização do smartphone, e saberiam em minutos onde estavam os seus inimigos.
Milhares de bombas voariam, Hitler não teria um bunker, Estaline não teria o seu
derrame cerebral, Mussolini não serviria de bola de futebol nas ruas, Churchill não teria
tempo para mais charutadas e Roosevelt deixaria de pagar a conta do Netflix. Isto tudo
em minutos!


Uma calamidade! Uma verdadeira calamidade ter de fazer unfollow a tanta
gente, ainda por cima em tão pouco tempo….

09
Dez19

Criança nasce com cauda na Colômbia



Parece que na Colômbia nasceu um bebé com cauda. Segundo a imprensa, as
fotografias tornaram-se virais. Fiquei com pena daquela criança, não por ter
cauda mas por as fotos se terem tornado virais.
No mundo de hoje as pessoas têm cada vez menos empatia, e isso talvez advenha
do  tempo excessivo que passamos nos nossos telemóveis.
Aquela criança nasceu com cauda, até aqui tudo bem; o que está mal é terem-se
tirado e divulgado aquelas fotografias. Acabado de nascer, talvez ainda com dificuldades
respiratórias, o bebé foi posto de costas e tiraram-lhe várias fotos ao rabo, para as 
colocarem na internet. Será que ninguém se lembrou de lhe tirar uma foto à cara
primeiro? Será que os pais aceitaram de bom grado que o rabo do seu filho se tornasse
viral?
Imaginemos que o pobre rapazito, já crescido, decide um dia levar a sua primeira
namorada à casa dos pais; imaginemos que os pais fazem a típica brincadeira de mostrar
à namorada as fotos do namorado em criança… será um dia muito constrangedor para
o “nosso” menino viral.

«Hola, Tata. Sou uma imigrante portuguesa, por isso o meu  espanhol acabou no hola. Anda cá que eu e o Aureliano queremos mostrar-te o álbum das primeiras fotografias do nosso Pablito E. Buendía. Chega-te aqui, querida. Esta é a primeira foto do Pablo.»


A Tata olhará para a fotografia e verá um rabo engelhado e uma cauda prensada entre o polegar e o indicador de algum enfermeiro. Ora o Pablo não é uma repugnante ratazana. O Pablo tem cauda mas é humano! Quer dizer… o Pablo tinha cauda! Foi mutilado, mal abertas estavam as suas goelas e  os seus órgãos online
A quem pertence o poder de decisão num caso destes? O que é que se passou?
Será que a mãe ao olhar pela primeira vez o seu filho, afirmou:

«Tem cauda? Assim já não o quero. Aureliano tira umas fotos ao rabo do miúdo para ser viral, e pega
aquela tesoura.»

Foi isto que se passou? Ou, por outro lado, os pais estavam de bem
com a situação e os médicos obrigaram-nos a cortar a cauda do Pablo?

«Desculpe lá, senhora Pilar, mas esta cauda é para cortar.»
«Não o faça, senhor doutor, rogo-lhe que deixe o meu filho como Deus o fez!»
«Quem o fez foi a senhora e o seu marido, não chame o Senhor para onde ele não é chamado!»
«Por favor, não mutile o meu menino; talvez mais tarde se venha a sentir complexado e tente compensar a ausência da cauda com a venda de cocaína.»
«Tem de ser.»
«Porquê?»
«Porque não há calças para quem tem cauda, minha senhora…»
«Então, ele há-de vestir saias.»


Chop chop, zás trás pás, catrapumba, xiribitátá urra, urra pontapé na cauda,
preconceitos de gente graúda. Lá se foi a cauda.
Cortar a cauda a um recém-nascido é como baptizá-lo uma semana após o seu
nascimento; ambos são compromissos a longo prazo, ambos irrevogáveis.

16
Nov19

O pior cego é aquele...


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Costuma-se dizer que o pior cego é aquele que não quer ver. Será mesmo assim? Aqui fica uma lista alternativa dos dez piores cegos deste mundo.
1.O pior cego é aquele que cola macacos do nariz debaixo da mesa;
2. O pior cego é aquele que não recicla;
3. O pior cego é aquele que vai à tourada;
4. O pior cego é aquele que bate na mulher quando o Benfica perde;
5. O pior cego é aquele que não mete o pisca antes de virar;
6. O pior cego é aquele que olha para a garrafa de vinho e diz: "epá, ganda pomada!";
7. O pior cego é aquele que vai ao jardim zoológico;
8. O pior cego é aquele que vê menos mal;
9. O pior cego é aquele que passa o dia a tirar selfies;
10. O pior cego é aquele que arde sem se ver

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