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T2 na Arrentela

T2 na Arrentela

29
Jun20

Como ofender a extrema-esquerda e a extrema-direita em 5 palavras.


Quase quis ter uma cona.

Em 5 palavras ofendemos a extrema-esquerda e a extrema-direita. Comecemos pela extrema-esquerda.

Para a extrema-esquerda, afirmar que quase se quis ter uma cona implica que se pensou no assunto, mas que se recusou a ideia.

                “QUAL É O MAL EM QUERER TER UMA CONA? Quase quiseste? Queres ou não queres? Voltaste atrás porquê?  Estás a dizer que querer ter uma cona é mau? Fascista. O género é uma construção social que se desconstrói no Twitter e no bloco operatório.”

                “Não. Estou só a dizer que me passou a ideia pela cabeça, mas ao fim de alguns minutos ganhei um novo apreço pelo meu pénis. E não é isso que é suposto? Sentirmo-nos bem na nossa pele? Quando disse “quase quis ter uma cona” significa que considerei ir à faca, mas por motivos que só a mim me dizem respeito acabei por me manter intocado. Não há mal nenhum em ter ou querer uma cona, mas também mal nenhum em ter ou querer um caralho. Os judeus estão ali a meio caminho porque só cortam meia pila, mas isso é lá com eles.”

                “CLARO! Claro que o facho que não quer cona também é antissemita.”

                “NÃO! Era só humor de observação à distância, porque nunca vi um pénis judaico de perto; os outros vejo a toda a hora”

Para a extrema-direita, afirmar que quase se quis ter uma cona implica que se pensou no assunto.

                “MAIS UM PANELEIROTE! Mais um paneleiro que não tem respeito nenhum pela religião, moral ou costumes. Se fosses antes à tourada aprendias a ser um homem com h grande, de heterossexual. Vestias um barrete verde, uns collants, um colete cheio de brilhantes, e depois punhas-te numa fila indiana com outros homens vestidos da mesma forma para agarrar nos cornos e no cu de um touro.

És homem e queres ter uma vagina? Se eu não fosse contra o aborto e contra a eutanásia, gostava que a tua mãe te tivesse cuspido, ou que te injectassem cianeto no olho. Portanto, mata-te como um macho. Mete uma cruz ao pescoço, tira-a e depois corta-o.”

                “Eu só quase quis ter uma cona. Qual é o mal?”

                “Não digas palavrões à minha frente. Deus está a ouvir.”

                “Deus? Estás aí? Se estiveres, vais-me dizer que nunca te sentiste tentado a ter uma cona? Ámen.”

                Tanta discussão. Tanta luta. E eu sou apenas um gajo que um dia quase quis ter uma cona.

08
Jan20

Capítulo 6 - Cidra, Cidra, Cidra, Sida. Ser ou não ser presidente? Velhas e chouriços. Canibalismo. P.S: falhas narrativas


Cidra, cidra, cidra, sida. Beber sem moderação e sexo sem protecção, eis o meu slogan para as presidenciais. Será esta a plataforma ideal para quem deseja parecer presidencial? Não sei, mas os trumps e os bolsonaros desta vida parecem conseguir manter-se no poder sem muito mais a oferecer. Um confronta jornalistas dizendo-lhes que têm “cara de homossexual”; o outro bombardeia o herói nacional do Irão sem saber bem porquê. Se é este o grau de exigência também posso ser presidente.

Eu nem quero ser presidente. O cargo parece muito aborrecido e tem de se ter em conta que uma das tarefas inerentes é beijar velhas na rua. Beijar velhas desconhecidas na rua só é aceitável quando se é presidente; quando se é um cidadão comum nem as velhas aceitam ser beijadas. Acreditem, eu tentei. O mais estranho de se ser rejeitado por uma velha é o facto de se ser rejeitado por uma velha. Por mais horrível que seja um jovem parece-me inegável que ele possui qualidades suficientes para estimular uma velha, de vários modos: intelectualmente, sexualmente, etc.

Mas a presidência possui uma vantagem inegável: comer à pala em tudo o que é feira. É debicar no chouriço, no presunto, nas azeitonas e nos tremoços, beber da bela vinhaça e do melhor bagaço, ingerir a melhor bifana e a mais gorda das sardinhas.

Portanto tenho habitado numa espécie de limbo. Não quero ser presidente, mas quero comer à borla. Só que para comer à borla os enchidos e os melhores acepipes também tenho de comer velhas, e eu nunca me dei a conhecer ou me conheço como canibal. Alguém tem linha directa para o Marcelo? E para o Cavaco?

 

 

P.S (Post Scriptum, não Partido Socialista): Poderá o leitor perguntar o que tem este capítulo que ver com os anteriores? Deste lado, respondemos: nada. Estávamos sem ideias de como se compõe uma narrativa contínua, mas assumimos um compromisso com o leitor e connosco. Enquanto não falecermos, sairá um capítulo todas as quartas-feiras e sábado. Hoje é quarta-feira, caso não soubesse. Abraço e beijo.

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